A importância da venda no atacado
Para o desenvolvimento econômico do segmento artesanal no Estado
O segmento artesanal brasileiro, segundo a Secretaria do Desenvolvimento da Produção, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio – MIDIC, que coordena o Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, envolve 8,5 milhões de pessoas em suas cadeias produtivas, movimentando cerca de R$ 30 bilhões por ano, o que corresponde a 2,8 % do PIB nacional.
No Rio de Janeiro, dados estatísticos apontam para a existência de cerca de treze mil artesãos, oitenta associações e inúmeras cooperativas de profissionais ligados ao artesanato.
Para atender este segmento de nossa economia, que além de gerar milhares de empregos diretos possui uma grande cadeia produtiva, onde, para cada artesão pelo menos outros cinco empregos são criados, o Governo do Estado, a partir da reformulação do antigo PRODARJ - Programa de Artesanato do Rio de Janeiro, criado em 1986, através da lei número 1.072, implantou a CASA DE ARTESANATO DO RJ, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico – SEDE e nomeada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, como interlocutor do Programa de Artesanato Brasileiro no Estado.
A Casa de Artesanato, localizada no bairro de Botafogo, na capital fluminense, possui um showroom para comercialização de produtos de artesãos oriundos dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, além de várias salas de aula, em uma área de aproximadamente 1.300 m². Após uma criteriosa seleção, a Casa de Artesanato tem cadastrados cerca de mil e quinhentos artesãos que comercializam sua produção no showroow da instituição.
Para a divulgação do artesanato fluminense, a Casa de Artesanato participa e realiza diversos eventos de grande impacto para o artesanato fluminense, com destaque para a exposição realizada em Paris, dentro da programação do Ano do Brasil na França em 2005, e para a 1ª Mostra RioArtesanato, realizada em dezembro de 2005 no Forte de Copacapana, com uma expressiva visitação. A comercialização da produção artesanal pela Casa de Artesanato é realizada através de parceria com a Associação dos Artesãos e Produtores Rudimentares - AART-RJ, entidade sem fins lucrativos de maior representatividade no nosso Estado, bem como através de parceria com o Banco do Brasil, que divulga os produtos e apoia a transação comercial através do seu site Balcão de Negócios de Comércio Exterior.
A Casa de Artesanato também qualifica e capacita os artesãos. No ano de 2005, cerca de 350 alunos freqüentaram cursos de formação, aprimoramento de novas técnicas artesanais, venda e design. A capacitação dos profissionais da área é estratégica, visando principalmente a modernização da produção artesanal e a inserção competitiva dos artesãos no mercado regional, nacional e internacional. Essa modernização, entretanto, é implementada com o cuidado de não descaracterizar as peculiaridades de cada localidade ou região, buscando a valorização da cultura e das tradições e reforçando a auto-estima das populações, principalmente no interior do estado. Num mundo cada vez mais globalizado, a internacionalização da economia elevou ainda mais o nível de competitividade, exigindo dos artesãos e de suas representações, cada vez mais conhecimento, estruturação, organização e, principalmente, qualidade dos produtos.
Com a implantação desta politica de apoio ao segmento verificou-se que, nos últimos três anos, o Estado do Rio de Janeiro deu um grande salto no desenvolvimento do artesanato e da arte popular, mostrando qualidade, criatividade e aumento da sua capacidade de produção. Podemos citar, como um bom exemplo, as bordadeiras de Barra Mansa, noticiadas na mídia pela capacidade de atender a uma grande demanda da cadeia produtiva do carnaval, gerando significativo desenvolvimento econômico na região . Só neste municipio estima-se que mais de 250 bordadeiras vivem o ano todo somente do bordado, que somadas as bordadeiras de Porciuncula e de Paraiba do Sul, além das profissionais do Nucleo de Bordadeiras da Casa de Artesanato, que engloba profissionais de toda região metropolitana, somam cerca de 1000 bordadeiras vivendo deste trabalho em todo Estado. Esse é só um exemplo da grande capacidade de produção do artesanato fluminense.
Entretanto, para dar um novo salto, que permita o maior desenvolvimento do segmento artesanal no Estado é necessário que, além de capacitar e facilitar o escoamento da produção artesanal no varejo, seja viabilizado a liberação da venda no atacado e a exportação da produção.
A Casa de Artesanato vende hoje cerca de 50 mil peças anuais para o Grupo Pão de Açucar, trabalhando com cerca de 15 associações e coperativas, que produzem com até 50 pessoas cada uma. Estes profissionais mostram capacidade de produção para atender novas demandas, gerando renda e trabalho, principalmente no interior do Estado.
Segundo a Secretaria de Estado de Turismo, a cidade do Rio de Janeiro recebe anualmente 6 milhões de turistas, sendo 2 milhões deles estrangeiros e 4 milhões nacionais, além disso, com a realização permanente de eventos nacionais e internacionais que acontecem no Estado, a exemplo dos Jogos Pan-Americanos - PAN em 2007, cujos organizadores estão estimando a participação de cerca de 500 mil turistas e 5.500 atletas de 42 países, é fundamental que a Secretaria de Fazenda libere os artesãos para a venda no atacado, permitindo a comercialização de nosso artesanato para os grandes magazines e lojas especializadas com capacidade para atender esta grande demanda.